APIP Plastics Summit 2019: cadeia de valor do plástico unida por uma causa comum

24/10/2019

O primeiro Plastics Summit, organizado pela Associação Portuguesa da Indústria de Plásticos (APIP), reuniu na mesma sala um número recorde de entidades que fazem parte da cadeia de valor do plástico. Nos dias 26 e 27 de setembro, cerca de 350 participantes e 40 palestrantes ligados à indústria de plásticos debateram, na Vista Alegre, em Ílhavo, o futuro deste material, que, todos concordam, é demasiado valioso para ser considerado lixo. A InterPLAST foi media partner do evento.

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A indústria nacional de plásticos lotou o auditório da Vista Alegre, onde decorreu o Plastics Summit 2019.

O tradicional Seminário de Plásticos, organizado pela APIP durante várias décadas, deu este ano lugar ao Plastics Summit, um evento modernizado, cujo objetivo era, segundo a nova direção, “trazer para o debate todos os agentes que fazem parte do circuito do plástico, lançando assim as bases para um futuro sustentável, baseado na valorização do material”, disse à InterPLAST Pedro Paes do Amaral, vice-presidente executivo da associação.

Na sessão de abertura, Amaro Reis, atual presidente da APIP, deu as boas vindas a um auditório lotado, referindo que “este pretende ser um ponto de encontro do setor e um fórum de discussão aberto a todos os intervenientes da cadeia de valor”. Acrescentou ainda que “a APIP não quer nem mais nem menos, mas sim melhor plástico” e terminou com uma palavra de apreço pelas anteriores direções, presididas por Marcel de Botton e Pedro Colaço.

A primeira apresentação do dia esteve a cargo de Eduardo Rêgo, fundador do movimento ‘Loving the Planet’, que o público português conhece por dar voz ao programa BBC Vida Selvagem. O locutor aplaudiu a iniciativa da APIP, que revela uma real vontade por parte da indústria de trabalhar para a sustentabilidade do planeta, e frisou a responsabilidade de todos na questão ambiental. “É no rio dos comportamentos que vamos ter de trabalhar para salvar o mar da vida”, afirmou.

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Amaro Reis, presidente da APIP, durante o discurso de abertura do evento.

Diretiva SUP – uma medida precipitada?

A apresentação ‘Diretiva SUP’ era uma das mais esperadas deste Plastics Summit. Mafalda Mota, da Agência Portuguesa de Ambiente (APA), começou por enquadrar o documento, explicando que este surge de um estudo que revelou que 80 a 85% do lixo marinho encontrado na Europa é composto por plástico (50% produtos de uso único e 27% artigos de pesca).

A diretiva, que deverá ser transposta para o direito nacional até 3 de julho de 2021, inclui medidas de restrição à colocação no mercado de produtos como copos, pratos, cotonetes e palhinhas, bem como todos os oxodegradáveis; medidas de redução do consumo, nomeadamente de embalagens alimentares (deve ser alcançada uma redução quantitativa mensurável do consumo destes produtos no território dos Estados-Membros até 2026, em relação a 2022); medidas de recolha seletiva de garrafas, tampas e cápsulas (devem ser assegurada uma taxa de recolha de 77% até 2025 e de 90% até 2029); requisitos de conceção ecológica (a partir de 3 de julho de 2024 só podem ser colocados no mercado recipientes para bebidas com capacidade inferior a 3 litros cujas cápsulas e tampas permaneçam fixadas durante a fase de utilização do produto e, a partir de 2025, essas embalagens, que sejam fabricadas maioritariamente em PET, devem conter, no mínimo, 25% de plástico reciclado, percentagem que sobe para 30% em 2030); requisitos de marcação (a partir de 3 de julho de 2021 as embalagens dos produtos usualmente descartados para o ambiente, por exemplo, através do sistema de esgotos, devem facultar aos consumidores informações sobre as opções adequadas de gestão dos resíduos); e medidas de sensibilização que visam informar o consumidor acerca do destino aos SUP, incentivando um comportamento responsável.

Mafalda Mota referiu ainda que, no que diz respeito às garrafas PET, Portugal assumiu o compromisso de alcançar, até 2025, uma taxa de recolha de 90%, antecipando a meta comunitária, e uma taxa de incorporação de 25% de PET reciclado em novas garrafas.

O curto período de tempo disponível para a implementação das medidas necessárias preocupa, naturalmente, o setor, pelo que o debate que se seguiu, moderado por José Eduardo Martins, foi um dos pontos altos do evento.

Ana Maria Carneiro, quality & food safety manager da Intraplas, lamentou não existir uma estratégia fiável em termos de timing. Na sua opinião, “as empresas a meio da cadeia de valor que, nos últimos anos, fizeram investimentos de monta, vão sentir um enorme impacto”.

Luís Garcia, responsável de sustentabilidade da Trivalor, lembrou a importância do material para a segurança alimentar e considerou esta lei uma precipitação. “Às vezes, a solução para um problema não é imediata”, disse, lembrando que o primeiro abre-latas só surgiu 48 anos depois da primeira lata de conserva. “Corremos o risco de tentar abrir a lata a tiro”, disse, aludindo às políticas em implementação.

Também Maria Conceição Paiva, professora no Departamento de Engenharia de Polímeros da Universidade do Minho, considerou que “se está a legislar apressadamente” e sem ouvir o meio académico. “As universidades têm o conhecimento técnico, ou a capacidade para o desenvolver, para poderem dar uma opinião fundamentada sobre as políticas a implementar”, disse, acrescentando que “neste caso, as decisões que estão a ser tomadas carecem de mais investigação”.

Já Rui Berkemeier, da associação Zero, afirmou que a “Europa acordou para o problema” e lembrou que “nos últimos anos, a produção de resíduos tem vindo sempre a aumentar”. Admitiu, no entanto, o peso do comportamento do consumidor, e referiu que a solução passa pela implementação de medidas de sensibilização e de valorização como, por exemplo, a cobrança de um valor pelas embalagens de take away.

Finalmente, Sílvia Menezes, da DECO Proteste, alertou para o facto de muitos SUP estarem a ser substituídos por outros que vão, igualmente, aparecer no ambiente. Na sua opinião, o problema não está nos plásticos, mas sim nos produtos de uso único, e defende “o ‘ecodesign’ de produtos reutilizáveis como o caminho preferível.

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O debate 'Single-Use Plastics or just Single-Use?', moderado por José Eduardo Martins, foi um dos pontos altos do evento.

Um pacto nacional para a indústria de plásticos

Na sua apresentação ‘A APIP nos desafios da economia circular’, Nuno Aguiar, responsável técnico da associação, explicou que “o modelo de produção linear está ultrapassado. O novo modelo circular [que, aliás, sempre existiu dentro das indústrias de plásticos] assenta na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia, substituindo o conceito de fim-de-vida da economia linear”.

Em concordância com o novo paradigma, a APIP tomou a iniciativa de assinar o ‘Pacto Nacional da Indústria dos Plásticos para a Economia Circular e Sustentabilidade Ambiental‘, o que viria a acontecer no segundo dia do evento, com a presença dos secretários de Estado da Economia e do Ambiente, João Neves e João Ataíde, respetivamente. Deste Pacto fazem parte medidas como a adesão ao programa Operation Clean Sweep (OCS) ou à plataforma MORE, ambas ferramentas importantes para a implementação efetiva de uma economia circular. Segundo indicou Nuno Aguiar, até ao final do ano serão definidas as metodologias de implementação do OCS e de adesão à plataforma MORE, de forma a que, em breve, todos os associados beneficiem destas ferramentas.

O Pacto prevê ainda a criação de um observatório da reciclagem, para monitorização das quantidades de resíduos processados, bem como o desenvolvimento e a participação em grupos de trabalho e em projetos que fomentem a economia circular e a sustentabilidade dos plásticos.

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Na assinatura do ‘Pacto Nacional da Indústria dos Plásticos para a Economia Circular e Sustentabilidade Ambiental‘ estiveram presentes Amaro Reis, Mercês Ferreira da APA, Marta Lima Basto da DGAE, João Neves, Secretário de Estado da Economia, e João Ataíde, Secretário de Estado do Ambiente.

Plataforma MORE

Alexandre Dangis, diretor geral da EUPC, esteve no Plastics Summit para falar da plataforma MORE. Trata-se de uma ferramenta utilizada para monitorizar o desempenho e a quantidade de absorção de polímeros reciclados na Europa. Qualquer transformador europeu pode registar-se em www.moreplatform.eu e, a partir daí, preencher o questionário disponibilizado. Desta forma, será possível aferir exatamente qual a quantidade de reciclado integrado em novos produtos. Recorde-se que, de acordo com os objetivos da Aliança para a Economia Circular do Plástico, em 2025 a Europa deverá estar a incorporar 10 milhões de plástico reciclado por ano.

Operation Clean Sweep (OCS)

Durante as operações de transporte e manuseamento de pellets, flocos ou pós pelos vários intervenientes da cadeia do plástico, desde o produtor até ao transformador, é possível que se perca algum material. Para evitar estas perdas, é necessário implementar medidas simples que fazem parte do ‘Programa OCS’. Durante o Plastics Summit, Ignácio Marco, diretor regional (ibérica) da PlasticsEurope, e Nuno Aguiar falaram sobre o programa e informaram a audiência que, até ao final do ano, a APIP irá estabelecer a metodologia de implementação do programa OCS, de forma a que, no final de 2021, todos os associados tenham o programa implementado.

A reabilitação dos plásticos

O primeiro dia terminou com a impressionante apresentação de Kim Ragaert, professora de Engenharia de Polímeros da Universidade de Ghent, que reproduziu para os presentes a sua ‘TEDx talk’ intitulada ‘Plastics Rehab'.

A professora Ragaert usou o exemplo de um pepino embalado com plástico flexível para demonstrar o custo-benefício da utilização do material. Os dois gramas de plástico necessários para fabricar a embalagem produzem apenas 10% do dióxido de carbono necessário para produzir o alimento. Além disso, permitem estender a vida útil do pepino em cerca de onze dias, prevenindo o desperdício alimentar, e, logo, evitando a emissão de CO2.

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Neste caso, o desperdício alimentar emite cinco vezes mais CO2 do que todo o processo de fabrico da embalagem flexível.

Para ilustrar as vantagens do plástico em relação a outros materiais, usou o exemplo dos sacos de compras. Pelas suas contas, um saco de papel de 50 gramas teria de ser utilizado quatro vezes para se equiparar a um de plástico de 20 gramas em termos de sustentabilidade, já que a sua produção e reciclagem requer muito mais energia, além de recursos naturais. Já no caso do saco de algodão, esse número sobe para 170 vezes.

Segundo a docente, mudar a atual tendência negativa passa por educar o consumidor “com os factos e apenas com os factos”. Além disso, a indústria deve desenvolver produtos inovadores e participar no debate, aliando-se, por exemplo a iniciativas como a Circular Plastics Alliance (CPA). No que diz respeito à inovação, alerta para a necessidade de se desenvolverem produtos sempre com a reciclagem em mente, harmonizando os tipos de materiais usados (é possível fazer um frasco de champô mono-material), reduzindo as quantidades (utilizando, por exemplo, PE orientado para ficar com as mesmas características do PET), evitando contaminações desastrosas (como a do PVC) e, mais cedo ou mais tarde, apostando nos materiais de base biológica.

Kim Ragaert alertou ainda para a necessidade de aumentar as taxas efetivas de reciclagem. Se é certo que alguns aspetos escapam ao controlo da indústria (recolha, legislação, ação do consumidor), existem outros que podem ser melhorados, nomeadamente a aposta na inovação tecnológica e em processos como a reciclagem química que, apesar de ter várias condicionantes, pode vir a ser uma solução viável.

No final, uma curiosidade: num questionário de rua, os entrevistados surpreenderam-se ao saber que apenas 1% dos eletrodomésticos à venda na Europa é fabricado com plástico reciclado.

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Kim Ragaert, durante a sua apresentação ‘Plastics Rehab'.

Os desafios da reciclagem

Aumentar a recolha seletiva, sensibilizar para a reciclagem, implementar sistemas de incentivos e penalizações junto do consumidor. Estes foram os principais desafios da reciclagem identificados pelos participantes da mesa redonda que marcou a manhã do segundo dia do Plastics Summit. Ricardo Pereira, CEO da Sirplaste, moderou o debate.

Com a Comissão Europeia a impor uma taxa de reciclagem de plásticos de 50% em 2025, urge saber que passos é necessário dar para lá chegar e, segundo Ricardo Pereira, não é com o atual sistema que o vamos conseguir. O responsável da Sirplaste, uma das principais recicladoras nacionais, aponta o foco para a necessidade urgente de aumentar a recolha. Referiu também que, com os processos disponíveis, ainda não é possível produzir reciclado que possa dar resposta, por exemplo, aos designers que querem aumentar a quantidade de reciclado num produto, sem alterar o design. Andrea Villa, engenheiro de vendas da Sorema, referiu que estão em curso diversos projetos na indústria química que pretendem responder a este desafio.

Tanto Andrea Villa como Michael Heitzinger, diretor de vendas da Erema, lembraram que não há equipamentos de lavagem e reciclagem instalados em número suficiente para a capacidade que se pretende atingir. O responsável pela Erema falou ainda das inovações tecnológicas que a empresa desenvolveu nos últimos anos e que permitem, por exemplo, eliminar os maus odores decorrentes do processo de reciclagem.

A aposta na inovação tecnológica foi, igualmente, apontada por Ricardo Neto, presidente da Novo Verde, como uma necessidade, nomeadamente no que diz respeito aos equipamentos de separação a instalar nas estações de triagem.

Já João Letras, diretor do Departamento de Gestão de Resíduos da Sociedade Ponto Verde, destacou a importância de “fazer chegar ao reciclador matéria-prima de qualidade” e de potenciar a colocação no mercado de embalagens mais leves e fáceis de reciclar. O responsável da SPV aproveitou para apresentar o Ponto Verde Lab: uma plataforma online, disponível em www.pontoverdelab.pt, que pretende ajudar os designers de embalagem a desenhar o seu produto da forma mais sustentável possível, sem comprometer as funções de embalagem. Mediante os dados introduzidos no sistema, o programa utiliza a ferramenta da SPV Pack4Recycling e permite saber, por exemplo, qual a melhor matéria-prima para o produto, tendo em vista a futura reciclagem.

Finalmente, Carmen Lima, coordenadora do Centro de Informação de Resíduos da Quercus, destacou a importância de passar para o público informação clara e exata acerca do destino a dar aos plásticos em fim de vida. Referiu ainda que o aumento dos biodegradáveis no mercado é prematuro, já que ainda não existem estações de compostagem industrial instaladas. O mesmo acontece com os materiais alternativos que “ainda não têm soluções de reciclagem”.

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Michael Heitzinger, diretor de vendas da Erema, mostrou vários produtos que já integram grandes quantidades de material reciclado.

O papel das petroquímicas na economia circular

Filipe de Botton, chairman da Logoplaste moderou o debate dedicado ao tema ‘Petroquímicas e Sustentabilidade’, no qual participaram representantes das principais empresas do ramo.

Afinal, “o que estão as petroquímicas a fazer para entregar soluções sustentáveis?”. A pergunta de Filipe de Botton não teve uma resposta imediata. Celmira Sousa, da Basf, argumentou que “desenvolver novos produtos, nomeadamente para contacto alimentar, demora tempo. Se tomarmos decisões muito políticas, perdemos a ciência no processo”. Destacou, no entanto, a aposta da Basf nos biodegradáveis, mas lembrou a necessidade de se desenvolver um sistema de gestão adequado deste tipo de resíduos.

No mesmo sentido, Martin Clemesha, da Braskem, referiu o investimento da empresa nos materiais de base biológica, feitos a partir de cana de açúcar, e defendeu que, no caso dos materiais que não podem ser reciclados, a solução passa pela redução das quantidades utilizadas e pela valorização energética no fim de vida.

Tanto a Basf como a Repsol referiram que têm em curso projetos na área de reciclagem química, para a qual, no entanto, ainda não existe regulamentação. Esta pode, ainda assim, vir a ser uma solução viável para os plásticos mistos e contaminados, difíceis de reciclar.

Por seu lado, Pedro Gonçalves, diretor industrial da Cires, forneceu à audiência os mais recentes números do VinylPlus, o compromisso voluntário para o desenvolvimento sustentável da indústria do PVC europeia, pioneiro na economia circular. De facto, desde de 2000 que esta indústria está comprometida com a sustentabilidade e assumiu já o compromisso de, em 2025, reciclar 900 mil toneladas de PVC, contribuindo, assim, de forma significativa para o objetivo de 10 milhões de reciclado integrado em novos produtos imposto pela Comissão Europeia. As 739.525 toneladas de PVC recicladas em 2018 mostram que esse é um objetivo perfeitamente alcançável.

A importância da avaliação do ciclo de vida do produto na indústria de plásticos

Fausto Freire, professor de Ecologia Industrial na Universidade de Coimbra, apresentou o tema ‘Avaliação do Ciclo de Vida do Produto’. A ACV é uma metodologia que permite avaliar o desempenho ambiental de um produto, processo ou serviço, desde a extração de matérias-primas, à produção e utilização de bens e serviços e à gestão dos resíduos daí resultantes. Este tipo de análise científica torna-se essencial para minorar o impacto ambiental dos produtos e é, portanto, uma ferramenta imprescindível para a indústria de plásticos atual. Além disso, é uma forma de quantificar informação importante para o uso de rótulos e declarações ambientais que fornecem ao mercado informação sobre os aspetos ambientais dos produtos e serviços (ISO 14020:2000).
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Segundo Fausto Freire, o ‘ecodesign’ é uma das aplicações mais interessantes da AVC. “Ao integrarmos aspetos ambientais na conceção de um produto, estamos a melhorar o seu desempenho ambiental ao longo de todo o seu ciclo de vida”, afirmou.

O professor de Ecologia Industrial deu como exemplo um estudo de ACV e ‘ecodesign’ de um apoio de braço para automóvel, produzido na CIE-Plasfil, graças ao qual foi possível reduzir significativamente a pegada de CO2 associada. A peça, inicialmente produzida em dois modelos, um de metal e outro de plástico, foi redesenhada para conter menos material. O resultado final, uma peça em plástico leve e funcional significou, na fase de produção, uma pegada de carbono 45% menor em relação à peça em plástico original e 54% menor em relação à de metal. Na fase de uso, essa poupança subiu para 87 e 91%, respetivamente.

A esta apresentação seguiu-se uma mesa redonda dedicada ao tema ‘Avaliação do Ciclo de Vida do Produto como Metodologia Preventiva e o Desafio da Rotulagem Ecológica’, moderada por Fausto Freire, na qual participaram representantes do mundo académico, dos centros de reciclagem e da distribuição.

Referindo-se à aplicação de rótulos ambientais, Fernando Leite, da Lipor, chamou a atenção dos presentes para a necessidade de se definirem bem os conceitos de material bioplástico e compostável, sob pena de "termos as unidades de compostáveis a receber os resíduos em sacos biodegradáveis”. Referiu ainda a urgência de se recolher o plástico ‘não embalagem’. Sugeriu, inclusive que se estude a possibilidade de “se colocarem contentores junto às habitações para recolha deste tipo de resíduos”.

Fátima Poças, professora de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa, afirmou que “o plástico é uma presença constante na embalagem”, acrescentando que “a qualidade e segurança dos produtos alimentares são em grande parte garantidas pelas propriedades específicas dos plásticos”. Na sua perspetiva, quando se fala de ‘ecodesing’ de embalagens, “a ACV é essencial, para não se correrem riscos que possam trazer problemas de segurança alimentar”. Alem disso, “muitas vezes, a ACV permite, inclusive, baixar o preço da embalagem e logo do produto”.

Por seu lado, Ana Pires, investigadora da Faculdade de Ciências e Tecnologia, defendeu que “é errado deixar a escolha final no consumidor porque ele vai sempre decidir em função do preço e não da sustentabilidade do produto”, disse, remetendo para um estudo elaborado com dois grupos, com e sem preocupações ambientais, e em que ambos indicaram o preço como o fator mais importante na escolha de um produto.

Finalmente, Victor Martins, da Sonae, lembrou que “nesta fase, qualquer ação terá que ser desenvolvida em conjunto por toda a cadeia de valor” e que é necessária uma “estratégia nacional para o uso responsável do plástico” que pode passar por medidas como reduzir ao máximo a complexidade dos plásticos, incorporar o máximo de reciclado possível, melhorar a comunicação com o consumidor e promover as iniciativas de terceiros. Concluiu afirmando que “todos os agentes estão a demonstrar uma atitude positiva perante um ambiente adverso. E isso é encorajador”.

Nas notas finais do evento, Rogério Mani, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Plásticos (ABIPLAST) considerou que ‘colaboração’ e ‘equilíbrio’ foram os termos chave do primeiro Plastics Summit. “O plástico é um material relativamente novo. Se, até aqui, esta indústria conseguiu o grau de inovação que conseguiu, não há dúvida que vai conseguir, agora, encontrar novas soluções para os desafios que enfrenta”, concluiu.

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Marcel de Botton foi homenageado durante o evento.

Homenagem a Marcel de Botton

O segundo dia do Plastics Summit ficou marcado pela homenagem ao Comendador Marcel de Botton que, ao longo de 26 anos, assumiu a presidência da APIP. Num discurso emocionado, Gonçalo Tomé, vice-presidente da associação, relatou aos presentes o percurso de uma vida dedicada ao setor e marcada pelo empreendedorismo.

Marcel de Botton começou a sua atividade em 1944. Nos anos 50 foi responsável pela produção na empresa Sotancro, propriedade do pai, e, em 1956 comprou a primeira máquina para a produção de artigos em plástico. No final dessa década, criou a Fábrica de Plásticos Titan, de onde saiu em 1975, no conturbado período pós-revolução. Em 1976, fundou a Logoplaste e, desde então, manteve uma intensa atividade associativa e empresarial, reconhecida e premiada internacionalmente. Em 1994, foi agraciado com a Comenda da Ordem do Mérito Empresarial, na Classe Industrial, e, em 2017, recebeu o ‘Lifetime Achievement Award’ da American Society of Plastics Engineers. Hoje, com 94 anos, continua a acompanhar e a apoiar a indústria de plásticos nacional.

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