BI345 - O Instalador

79 ASSOCIAÇÕES Nos últimos anos, apesar das diversas dificuldades no desenvolvimento de novos projetos, o país foi conseguindo ver nascer nova capacidade renovável. Portugal fechou 2025 com uma nova capacidade instalada de 1,1 GW, enquanto no período homólogo, a mesma tinha sido de 1,8 GW. Com um aumento de apenas 39%, é possível constatar que houve uma redução no ritmo de expansão. Ainda assim, este incremento permitiu que a energia solar fosse a principal fonte de geração, com 20,1%, durante o mês de junho, acima da energia eólica, hídrica e gás natural, um marco histórico para o setor solar fotovoltaico. Analisando esta evolução da capacidade instalada, através do gráfico, que representa os últimos 10 anos, é possível observar que, entre 2021 e 2025, as instalações anuais cresceram acentuadamente a cada ano, representando uma capacidade fotovoltaica acumulada de 6,8 GW, dos quais 3,7 GW referem-se a instalações centralizadas e 3,1 GW a instalações descentralizadas, que incluem Unidades de Produção para Autoconsumo (UPAC), Unidades Pequenas de Produção (UPP) e Micro/ Mini instalações de produção, conforme apresentado. No acumulado do ano, as UPACs representaram 45 % (2,4 GW) das novas adições, destacando a relevância da geração descentralizada, tanto para o comércio e indústria, como para a componente residencial, o papel dos produtores-consumidores, denominados de prosumers. Nos próximos anos, espera-se que a energia solar distribuída, incluindo comunidades de energia renovável, continue a crescer, sobretudo se se mantiverem incentivos fiscais e de investimento neste tipo de medidas sustentáveis. Embora se mantenha uma tendência de crescimento da capacidade fotovoltaica instalada, o ritmo de incorporação de nova capacidade registou, pela primeira vez em cinco anos, uma desaceleração, colocando pressão adicional sobre o cumprimento da meta de 20,8 GW prevista no PNEC 2030. O país não atingiu a sua meta intercalar para 2025 (8,4 GW)1. No entanto, apesar de ambicioso, ainda tem potencial para atingir a sua meta solar para 2030, necessitando de instalar anualmente pelo menos 2,8 GW, o que corresponde a uma média mensal de 235 MW. Apesar do forte potencial renovável de Portugal e do enquadramento político e legislativo favorável, o progresso está a ser abrandado por uma série de obstáculos estruturais. A escassez de capacidade disponível na rede elétrica continua a travar o desenvolvimento do setor renovável. Torna-se urgente o reforço de rede, assente na sua expansão e modernização, conforme previsto no mais recente Plano de Desenvolvimento e Investimento da Rede de Transporte de Eletricidade (PDIRT-E) e no Plano de Desenvolvimento e Investimento da Rede de Distribuição (PDIRD-E), ambos ainda pendentes de aprovação governamental, embora já tenham estado em consulta pública. Os mercados de flexibilidade e serviços de sistema ainda estão longe de estar totalmente operacionais e/ ou otimizados: a participação é limitada e ainda não foram estabelecidos quadros claros para o papel do armazenamento e a pequenos produtores independentes operar principalmente do lado da procura. Estes são essenciais para garantir a estabilidade do sistema e maximizar o valor das energias renováveis Além disso, Portugal continua a enfrentar desafios significativos no que diz respeito aos processos de licenciamento. Tem havido uma ineficiência persistente nos processos de licenciamento e uma falta de coordenação entre as entidades, sublinhando a urgência da implementação do tão aguardado balcão único e a digitalização dos processos. Apesar de um regulatório estabelecido, há elementos que carecem de adequação e articulação entre regimes, os quais poderão ser mitigados através de uma transposição eficaz da Diretiva Europeia das Energias Renováveis (RED III), cuja consolidação em 2026 deverá reforçar e consolidar a legislação existente, estabelecendo revisão de prazos máximos para o licenciamento e introduzir Zonas de Aceleração para as Energias Renováveis (ZAER) e resEvolução capacidade instalada solar (GW) entre 2016-2025. Fonte: DGEG, análise APREN.

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