BJ29 - Novoperfil Portugal

22 PERFIL EVENTOS intitulada ‘Não vamos resolver as alterações climáticas’, defendendo que nenhuma geração ou tecnologia isolada tem capacidade para resolver, por si só, a crise climática. A ideia central passou por repensar a forma como a tecnologia é utilizada: “não se trata de travar o progresso, mas de combinar inovações concretas — mecanização, automatização e eficiência energética — com inovações mentais, assentes na reorganização de processos e na mudança de mentalidade”. Durante a sua intervenção, Javier Navarro rejeitou a visão pessimista que associa desenvolvimento a destruição e defendeu que a tecnologia, quando bem aplicada, constitui uma oportunidade para reduzir impactos e melhorar a qualidade de vida. “Para isso, é necessário abandonar a narrativa apocalíptica e apostar na criatividade, na colaboração e no design inteligente”, afirmou. Como exemplo, referiu a proteção solar automatizada, que demonstra como soluções conectadas e sustentáveis podem melhorar a eficiência energética dos edifícios. O discurso incentivou engenheiros, arquitetos, fabricantes e cidadãos a trabalharem com uma visão de longo prazo. “Cada edifício sem sistemas inteligentes representa uma oportunidade perdida, e avançar para um 2100 mais limpo depende da aplicação do conhecimento de forma responsável e coletiva”, concluiu. MADEIRA LOCAL E RASTREABILIDADE FLORESTAL Outro dos temas abordados nesta temática foi a utilização de madeira local na reabilitação e na construção de novos edifícios, bem como as medidas destinadas a controlar a origem da madeira e a sua rastreabilidade. A apresentação ‘Madeira local e rastreabilidade florestal’, elaborada por Juanjo Otero, Cecilia López e Luis Ángel López, da MOLArquitectura, e apresentada por Juanjo Otero, esclareceu estas questões. Durante a apresentação, foram mostrados vários projetos de revestimentos executados com madeira local, sobretudo pinho da Galiza, utilizada tanto em fachadas ventiladas como em caixilharias exteriores. Em todos os casos, recorreu-se a madeiras técnicas — como madeira tratada em autoclave com acabamento carbonizado Shou Sugi Ban ou madeiras termotratadas — com o objetivo de melhorar a sua durabilidade. A rastreabilidade do material foi um elemento central em todos os projetos, assegurada através da Fortra, uma ferramenta digital que regista todas as operações desde a floresta até ao produto final, permitindo identificar a origem da madeira por meio de um código QR. Este sistema promove a utilização de produtos de proximidade, garante práticas florestais responsáveis e facilita o acesso à informação sobre a pegada de carbono. Juanjo Otero destacou três pilares desta estratégia: a origem e a rastreabilidade como fatores de diferenciação; a sustentabilidade da floresta, garantida pelas certificações FSC e PEFC; e a classificação de qualidade que valoriza o trabalho do setor florestal. Nos projetos são igualmente utilizadas carpintarias em castanheiro ou pinho laminado, molduras em madeira ou Tricoya e isolamentos à base de fibras de madeira, cortiça ou espumas de taninos, com um enfoque comum em sistemas construtivos em madeira local, tanto ao nível estrutural como em painéis CLT. “A madeira certificada sob a marca Pino de Galicia garante controlo e qualidade. Para além de ser estrutural e Juanjo Otero, da MOLArquitectura.

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