PERFIL 42 REPORTAGEM nal de simplificação para fábricas que trabalham com diferentes materiais. A digitalização dos processos foi outro dos eixos centrais do ‘Workshop Futura’. A Gesfacil apresentou o papel do software na integração entre orçamento, pedido e produção, demonstrando como a informação flui do escritório técnico para as máquinas sem necessidade de transcrições manuais. A apresentação mostrou, passo a passo, como um orçamento se transforma num pedido e como esse pedido gera automaticamente instruções para as máquinas, libertando o chão de fábrica da necessidade de interpretar desenhos ou decisões técnicas. O software foi apresentado como elemento-chave para transformar um produto tradicionalmente artesanal num produto tecnológico. A normalização dos processos permite medir custos reais, controlar desperdícios, otimizar a utilização de materiais e melhorar o controlo de qualidade. Ao mesmo tempo, reduz a dependência de profissionais altamente especializados para tarefas específicas, facilitando a formação de novos colaboradores e mitigando o impacto da rotatividade ou das ausências. O encontro incluiu ainda uma apresentação detalhada dos sistemas de alumínio da Centroalum, com destaque para soluções de folha oculta, capacidades de carga elevadas, diferentes configurações de abertura e uma ampla gama de acabamentos. A lógica apresentada assenta na versatilidade: com uma única série, é possível cobrir uma grande diversidade de aplicações, desde janelas de pequena dimensão a grandes vãos arquitetónicos, reduzindo a complexidade do stock e aumentando a flexibilidade da produção. ORGANIZAÇÃO INDUSTRIAL COMO COMPLEMENTO DA TECNOLOGIA A vertente de organização industrial foi aprofundada pela DCM, que apresentou uma abordagem focada na transição de oficinas artesanais para unidades industriais estruturadas. A empresa explicou como o desenho do layout, a definição clara dos fluxos de produção e a normalização dos postos de trabalho são determinantes para aumentar a eficiência, reduzir tempos mortos e eliminar retrabalhos. A organização do espaço e dos processos surge como complemento indispensável à automação e ao software, garantindo que a tecnologia é efetivamente aproveitada. A Maquintec esteve presente como parceira tecnológica na área da maquinaria, enquadrando o papel dos equipamentos industriais no suporte à automatização e à industrialização dos sistemas apresentados. A maquinaria surgiu integrada na demonstração prática dos processos, reforçando a ideia de que a industrialização resulta da articulação entre diferentes tecnologias e não da adoção isolada de equipamentos. A FÁBRICA COMO PROVA FINAL DO CONCEITO A visita à fábrica da Lingote funcionou como culminar de toda a narrativa construída ao longo do dia. A circulação pelos diferentes setores permitiu observar os processos de extrusão, lacagem e organização logística, bem como a integração vertical da unidade industrial. O investimento realizado após a integração no Grupo Corialis foi apresentado como garantia de capacidade produtiva, rapidez de resposta e proximidade ao cliente. A produção local, o stock em Portugal e prazos de entrega controlados surgiram como fatores diferenciadores num mercado cada vez mais exigente. Ao longo de todo o evento, a mensagem foi consistente entre as diferentes intervenções: industrializar não é apenas investir em máquinas, mas repensar processos, integrar software, organizar o trabalho e capacitar as pessoas. A parceria entre a Centroalum e a Lingote, apoiada por um ecossistema de parceiros tecnológicos e enquadrada no Grupo Corialis, procurou demonstrar que é possível transformar um setor tradicional através de uma abordagem estruturada, mensurável e orientada para o futuro, sem perder o contacto com a realidade do chão de fábrica. n
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