59 EVENTO Portugal tem energia renovável, uma posição geográfica favorável, ligações internacionais, conhecimento científico e uma indústria com competências em várias áreas. Tem também acesso a fundos e investimento. Ainda assim, transformar estas condições em produção, tecnologia e empresas com maior valor acrescentado continua a ser um desafio. Foi esta discussão que marcou o Congresso ‘Os Grandes Desafios Estratégicos de Portugal – Energia, Defesa e Infraestruturas do Futuro’. O encontro reuniu especialistas, responsáveis institucionais e representantes de empresas para debater as condições necessárias ao desenvolvimento industrial e tecnológico do país, num momento em que a Europa procura reforçar a sua autonomia em áreas consideradas essenciais, da segurança energética à capacidade industrial e às comunicações. A sessão de abertura contou com as intervenções da vereadora da Câmara Municipal de Matosinhos, Manuela Álvares, e do presidente do Conselho de Administração do IEP, Carlos Cardoso. O programa incluiu também uma intervenção de Pedro Siza Vieira, ex-Ministro de Estado, da Economia e da Transição Digital, sobre a capacidade de Portugal para gerar maior valor acrescentado a partir dos seus recursos e competências. DEFESA E INDÚSTRIA: OPORTUNIDADES NAS CADEIAS DE FORNECIMENTO O primeiro painel, ‘Defesa, Indústria e Autonomia Estratégica’, abordou as oportunidades decorrentes do aumento do investimento europeu em Defesa e as possibilidades de participação das empresas portuguesas neste mercado. A discussão incidiu sobre a identificação de áreas em que a indústria nacional dispõe de competências diferenciadoras e sobre as condições necessárias para integrar cadeias internacionais de fornecimento. A proteção das infraestruturas críticas, incluindo energia, transportes e comunicações, foi também abordada no âmbito da autonomia e da segurança do país. Participaram Ricardo Pinheiro Alves, presidente da idD Portugal Defence; o Major-General Tiago Vasconcelos, professor auxiliar convidado do ISCSP – Universidade de Lisboa; Pedro Machado, vice-presidente da CCDRNorte; Vasco Lobo, diretor executivo da EID; e Pedro Folgado, vice-presidente do Conselho de Administração do Metropolitano de Lisboa. A moderação esteve a cargo de Cipriano Lomba, administrador do IEP. Para a indústria metalomecânica, o desenvolvimento deste mercado poderá gerar oportunidades em áreas como o fabrico de componentes, estruturas, sistemas mecânicos e atividades de manutenção, dependendo das competências e dos requisitos técnicos exigidos pelos diferentes programas. REDE ELÉTRICA: CAPACIDADE PARA ACOMPANHAR A PROCURA A eletrificação da economia, o crescimento da produção renovável e a instalação de grandes consumidores estiveram em destaque no segundo painel, dedicado aos ‘Desafios da Rede Elétrica do Futuro’. Os participantes analisaram as exigências colocadas ao sistema elétrico pelo aumento e pela diversificação dos consumos, bem como a necessidade de reforçar a capacidade, a flexibilidade e a resiliência das redes. O armazenamento de energia, a gestão da procura e a digitalização das infraestruturas foram alguns dos temas enquadrados neste debate. A capacidade de resposta da rede assume particular relevância para as empresas que pretendem ampliar instalações, eletrificar processos produtivos ou avançar com novos investimentos industriais. O painel contou com Pedro de Sampaio Nunes, membro do Conselho Consultivo do iLab; Pedro Carvalho, do Instituto Superior Técnico; João Peças Lopes, membro do Conselho de Administração do INESC TEC; e João Martins de Carvalho, membro do Conselho Executivo da E-Redes. Ferreira Pinto, administrador do IEP, moderou a sessão. Os participantes no painel ‘Desafios da Rede Elétrica do Futuro’ analisaram as exigências colocadas ao sistema elétrico pelo aumento e pela diversificação dos consumos, bem como a necessidade de reforçar a capacidade, a flexibilidade e a resiliência das redes.
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