18 EVENTO material apenas onde é necessário. Esta diferença abre novas possibilidades para o desenho dos componentes, que fica menos condicionado pelas limitações das ferramentas e mais orientado para a função de cada peça. “O objetivo não é simplesmente imprimir a peça, tem de encontrar uma espécie de fabrico mais eficiente para reforçar a produtividade”, afirmou o CEO do Grupo Erofio. Um dos exemplos apresentados foi o da refrigeração conformal dos moldes, que permite criar canais adaptados à geometria da peça e aproximá-los das zonas onde é necessário retirar calor. Num dos casos partilhados, esta solução permitiu reduzir em 36% o tempo de ciclo. O benefício, salientou Pedro Lourenço, não se resume à rapidez: a geometria dos canais pode também contribuir para melhorar a qualidade da peça e a estabilidade do processo de moldação. A apresentação foi mais longe, mostrando como o fabrico aditivo pode levar à revisão de componentes e até da arquitetura global de um molde. O conceito InnovaIQ, desenvolvido no âmbito da agenda InnovaEco, combina fabrico aditivo, otimização da geometria, refrigeração conformal e simplificação estrutural. Segundo os resultados apresentados, a solução permitiu reduzir em 75% o peso do molde e em 35% o consumo de energia, bem como diminuir o tempo de ciclo de produção. Pedro Lourenço sublinhou, contudo, que estes ganhos não resultam apenas da impressão 3D, mas da forma como foram repensados em conjunto a estrutura, a refrigeração e o processo de moldação. A mensagem deixada pelo responsável foi clara: o potencial da tecnologia depende da capacidade de a integrar desde o início do desenvolvimento, considerando o desenho, os suportes, os tratamentos e as operações de acabamento necessárias. A combinação entre diferentes tecnologias e a sua adequação a cada aplicação são, por isso, determinantes. O DESAFIO DE TRANSFORMAR CONHECIMENTO EM VALOR INDUSTRIAL A mesa-redonda moderada por Luísa Santos, das revistas InterMetal e InterPlast, trouxe para o debate uma questão central para a indústria: como transformar as competências já existentes em Portugal numa cadeia de valor competitiva no fabrico aditivo. Rodrigo Passos, da direção de Capacitação Empresarial do IAPMEI, considerou que o país já dispõe de conhecimentos sólidos em engenharia, automação, maquinação e desenvolvimento de produto, mas precisa de os articular melhor. “O que falta é interligar todas estas competências e ganhar escala”, resumiu. Para o responsável do IAPMEI, um dos principais desafios é fazer a passagem dos protótipos para uma produção industrial consistente, com qualidade assegurada e custos competitivos. A tecnologia, por si só, não garante um negócio viável: é necessário perceber em que aplicações oferece vantagens face aos métodos convencionais e se essas vantagens têm valor para o cliente. A cooperação entre empresas foi outro dos pontos destacados, numa cadeia em que dificilmente uma única organização reúne todas as competências necessárias. A necessidade de conhecer melhor as possibilidades da tecnologia esteve também em evidência na intervenção Da esquerda para a direita: Luísa Santos, diretora das revistas InterMetal e InterPlast, Rodrigo Passos, diretor de Capacitação Empresarial do IAPMEI, Agostinho Carvalho, CEO e responsável de investigação e desenvolvimento da WeAdd, Carina Ramos, CEO da PrimeOut, e António Silva, responsável de investigação, desenvolvimento e negócio do Grupo Erofio. Créditos: Joaquim Morgado, Color Shop.
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