BM31 - InterMETAL

19 EVENTO de Carina Ramos, CEO da PrimeOut. Para a responsável, a indústria tem de estar disponível para mudar e aprender com experiências que já estão mais consolidadas noutros mercados. A formação e o contacto com novas práticas são importantes, mas também é preciso criar espaço para pensar as aplicações e identificar oportunidades concretas. A sensibilização para o fabrico aditivo está a crescer, salientou, embora a sua integração nos processos produtivos dependa de uma maior abertura à mudança. António Silva, responsável de investigação, desenvolvimento e negócio do Grupo Erofio, colocou a tónica na formação e na valorização da engenharia. Portugal tem conhecimento em áreas como a engenharia e os materiais, mas esse saber continua, em parte, disperso. Para o responsável, a competitividade não pode assentar apenas na utilização de equipamentos, cujo custo não difere necessariamente entre países. “Se queremos criar valor, temos de abrir a cadeia de valor, temos de vender a engenharia, acima de tudo”, afirmou, realçando que o contributo das empresas deve começar na fase de desenho e desenvolvimento do produto. A experiência industrial também exige uma abordagem estruturada. António Silva alertou para o risco de tratar cada peça como uma experiência isolada, sublinhando que a passagem à produção requer resultados repetíveis e processos controlados. “É preciso deixar de transformar cada peça numa experimentação. Temos de conseguir ter método”, afirmou. O fabrico aditivo pode abrir novas possibilidades, mas não elimina as exigências de validação nem é adequado a todas as aplicações. Esta ideia foi reforçada por Agostinho Carvalho, CEO e responsável de investigação e desenvolvimento da WeAdd, que descreveu o fabrico aditivo como uma tecnologia complementar, e não como uma substituição generalizada dos processos convencionais. A dificuldade está em perceber onde faz sentido aplicá-lo e que vantagens pode oferecer em cada contexto. “É preciso contextualizá-lo”, advogou, salientando que a escolha depende das necessidades do produto, dos volumes, dos custos e do desempenho pretendido. O conhecimento das pessoas será decisivo para adaptar a tecnologia a cada aplicação, em vez de procurar resolver todos os problemas com o mesmo processo. O debate abordou ainda as oportunidades no setor da defesa, onde a rapidez de resposta e a produção de componentes especializados podem ser relevantes. Carina Ramos, CEO da PrimeOut, identificou, contudo, uma dificuldade anterior à própria tecnologia: a falta de ligação entre as necessidades dos utilizadores e as capacidades da indústria nacional. Segundo explicou, as forças de defesa precisam de peças para a manutenção e reparação de equipamentos, mas nem sempre conhecem as competências existentes nas empresas portuguesas. Do outro lado, muitas empresas não estão suficientemente sensibilizadas para essas necessidades nem sabem como apresentar soluções concretas. Para a responsável, é necessário aproximar as duas partes e passar de uma oferta centrada nos equipamentos e nas tecnologias para propostas orientadas para os produtos e problemas que precisam de resposta. A discussão evidenciou também que esta aproximação exige uma ação concertada, envolvendo o Estado, as entidades de defesa e as empresas, bem como o cumprimento dos requisitos de certificação e homologação. Agostinho Carvalho considerou que o processo não pode depender apenas da iniciativa individual das empresas, enquanto Rodrigo Passos salientou a importância de preparar a indústria para as oportunidades que podem surgir com a crescente prioridade atribuída à defesa nos fundos europeus. Entre as áreas com potencial, apontou os moldes e as ferramentas, os dispositivos médicos, a aeronáutica e a produção de componentes especializados em pequenas séries. No balanço da mesa-redonda, ficou a ideia de que o avanço do fabrico aditivo depende menos da aquisição de equipamentos, por si só, do que da capacidade de escolher as aplicações Os participantes do Open Day 6.0 tiveram a oportunidade de visitar a unidade de fabrico aditivo da Erofio. Créditos: Joaquim Morgado, Color Shop.

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