56 O IMPACTO DA IA E AUTOMAÇÃO NA PRODUÇÃO ALIMENTAR ROBÔS QUE APRENDEM E COLABORAM Se a IA está a transformar a forma como as empresas analisam informação, a robótica inteligente está a alterar a própria organização das operações industriais. A Inspire Robotics tem vindo a desenvolver robôs móveis autónomos, os AMRs (robôs móveis autónomos), capazes de circular de forma independente em ambientes industriais, sem necessidade de infraestruturas dedicadas ou alterações profundas nas instalações. Recorrendo à IA, estes sistemas conseguem reconhecer pessoas, empilhadores e obstáculos, ajustando os seus percursos em tempo real para garantir segurança e continuidade operacional. Segundo a empresa, o principal objetivo não é substituir trabalhadores, mas libertá-los de tarefas repetitivas e de baixo valor acrescentado, permitindo que se concentrem em atividades que exigem experiência e capacidade de decisão. Os exemplos já implementados mostram benefícios que vão além da simples automatização do transporte de materiais: “Os resultados sentem- -se no dia a dia. Na Sonae, os nossos robôs levam paletes do armazém para a placa de vendas do GaiaShopping e trazem de volta as paletes vazias e são os próprios colaboradores que dão a ordem, a partir de um tablet. Na Cork Supply, um AMR abastece as mesas de trabalho com tabuleiros de frascos e trata das recolhas conforme a produção vai pedindo”. A empresa destaca ainda que estas soluções ajudam a responder a uma dificuldade crescente sentida por muitas organizações industriais: a escassez de profissionais para funções de movimentação interna. Ao assumirem tarefas repetitivas e fisicamente exigentes, os robôs permitem libertar recursos humanos para atividades de maior valor acrescentado. A informação recolhida pelos próprios robôs constitui outra vantagem relevante. Cada missão gera dados AMR plataforma, da Inspire Robotics. sobre percursos, tempos de execução e níveis de utilização, oferecendo às empresas uma visão mais detalhada da operação e novas oportunidades de melhoria contínua. Para a Inspire Robotics, o maior obstáculo à adoção destas soluções já não é tecnológico, mas perceber onde fazem mais sentido. A empresa alerta que nem todos os processos devem ser automatizados. “O desafio está mesmo em identificar as tarefas que comem mais tempo, acrescentam menos e travam o ritmo da operação. Quando essa análise é bem feita, o retorno do investimento salta à vista”, esclarece. Num setor confrontado com dificuldades de recrutamento, pressão sobre os custos e crescente complexidade operacional, a empresa acredita que será cada vez mais difícil imaginar uma indústria alimentar competitiva sem algum grau de automação inteligente. O futuro, defendem, passará por operações onde pessoas e robôs trabalham em conjunto, combinando flexibilidade humana com eficiência tecnológica. n
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