ENTREVISTA 13 -se também na eficiência operacional, na capacidade de inovação e na disponibilização e promoção de alternativas no portefólio que respondem às novas expectativas dos consumidores. Neste contexto, a APCV – Cervejeiros de Portugal está a atuar em quatro frentes principais. A primeira passa por reforçar a partilha de conhecimento e boas práticas entre os associados. Somos uma plataforma de convergência para o setor. Não substituímos as estratégias individuais das empresas, mas ajudamos a transformar desafios comuns em respostas coordenadas, tecnicamente sólidas e alinhadas com os compromissos de sustentabilidade. A segunda consiste em reforçar a representação do setor junto das instituições europeias, através da nossa participação ativa na The Brewers of Europe. Num momento em que a União Europeia está a definir algumas das mais importantes políticas ambientais e económicas para a próxima década, é fundamental garantir que as linhas mestras dessas políticas são proporcionais ao nível do impacto dos investimentos estruturais a realizar pela indústria, operacionalmente exequíveis para as empresas e para as diferentes realidades dos Estados-Membros. A terceira prioridade passa por continuar a afirmar o setor cervejeiro como um pilar da economia portuguesa. Falamos de uma atividade que sustenta mais de 170 mil postos de trabalho, gera cerca de 2,5% do PIB nacional e tem um impacto muito relevante na agricultura, na indústria, na logística, na restauração, na hotelaria e no turismo. Para que o setor possa continuar a investir em inovação e sustentabilidade, é igualmente importante assegurar condições de competitividade e previsibilidade, incluindo um enquadramento fiscal equilibrado e estável. A quarta prioridade passa por reforçar a promoção de um consumo responsável, enquanto dimensão essencial da responsabilidade social do setor cervejeiro. Este compromisso traduz-se na defesa de práticas de comunicação responsáveis, na autorregulação do próprio setor, na sensibilização dos consumidores e no diálogo com entidades públicas e parceiros da sociedade civil. Neste âmbito, a Cervejeiros de Portugal integra igualmente o Fórum Nacional Álcool e Saúde (FNAS), contribuindo ativamente para o acompanhamento destas matérias e para a construção de políticas e iniciativas que promovam um consumo responsável. Neste contexto, o crescimento das opções sem álcool assume particular relevância. Muito antes de esta tendência ganhar maior visibilidade pública, a indústria cervejeira já investia no desenvolvimento desta categoria, oferecendo aos consumidores alternativas que permitem conciliar o prazer e a cultura cervejeira com escolhas moderadas e responsáveis. Note-se que há 30 anos lançávamos as primeiras soluções sem álcool. Mesmo que a experiência não fosse perfeita, fruto da inovação disponível, houve esse entendimento e compromisso com a moderação. Mas hoje, a cerveja sem álcool é uma das áreas mais dinâmicas do setor, tendo registado, em 2025, um crescimento próximo dos 12%, demonstrando que inovação, liberdade de escolha e responsabilidade social podem caminhar lado a lado. Queremos reforçar o papel da APCV enquanto plataforma de diálogo entre indústria, decisores políticos, academia e restantes parceiros da cadeia de valor. Os desafios da sustentabilidade não se resolvem isoladamente. Exigem cooperação, inovação e uma visão integrada que tenha em conta simultaneamente os objetivos ambientais, económicos e sociais. O desafio agora é garantir que esta trajetória nas diferentes matérias de sustentabilidade continua a evoluir, sem comprometer a competitividade das empresas nem a capacidade de investimento necessária para cumprir as metas ambientais que todos partilhamos. O setor cervejeiro tem vindo a investir na redução do consumo de água, energia e emissões. Quais considera serem os progressos mais relevantes alcançados pela indústria nos últimos anos? Os progressos mais relevantes alcançados pelo setor cervejeiro nos últimos anos resultam precisamente da capacidade de integrar a sustentabilidade em toda a cadeia de valor. Um estudo recente realizado pela Nova SBE para a APCV demonstra e assinala que os produtores nacionais de cerveja apresentam um compromisso transversal com a sustentabilidade, que vai muito além do cumprimento das obrigações regulatórias. Falamos de uma abordagem que abrange a gestão da água, a eficiência energética, a incorporação de materiais reciclados nas embalagens, o uso de embalagens retornáveis, a valorização de subprodutos e a colaboração com fornecedores e parceiros logísticos. “Acreditamos que Portugal reúne condições para reforçar a produção de cevada e outras matérias-primas estratégicas, criando valor para os agricultores, para a indústria e para o país”
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