ESTUDO 39 etílicos, norisoprenóides, e óxidos de terpenos associam-se a aromas frutados e florais, enquanto compostos de enxofre (dimetil dissulfeto e tioacetato de metilo) estão ligados a notas redutoras com potencial impacto negativo na perceção sensorial. Os resultados mostram que a rolha de cortiça natural favorece tendencialmente um perfil ligeiramente mais oxidativo, associado a uma maior complexidade na composição volátil. Os vinhos vedados com cápsula de rosca apresentam maior teor de compostos de enxofre associados a aromas redutivos. A cânfora, composto terpénico reportado como marcador da migração de compostos da rolha de cortiça natural para o vinho durante o armazenamento, com aroma fresco e notas de eucalipto, foi detetada exclusivamente nos vinhos com rolha de cortiça natural (Natural 1 e Natural 2). Para verificar se estas diferenças químicas se refletem na perceção sensorial, os vinhos foram avaliados por painéis treinados. Para o período mais curto de armazenamento, apenas há a assinalar que o vinho com cápsula de rosca revela tendencialmente, ao nível retronasal, um perfil mais redutivo (Tabela 1). Este perfil está alinhado um maior teor de compostos de enxofre nestes vinhos, os quais estão associados a notas redutivas. No vinho com tempo médio de armazenamento, observaram-se diferenças ao nível retronasal, a assinalar um carácter ligeiramente mais oxidativo no vinho vedado com rolha de cortiça natural. Estes resultados permitem inferir um ambiente ligeiramente mais oxidativo neste tipo de vinho, o qual pode explicar um maior teor de ésteres etílicos, norisoprenóides e óxidos de terpenos e a evolução no sentido de conferir uma maior complexidade aromática. O VEDANTE COMO FERRAMENTA ENOLÓGICA Este estudo oferece novas perspetivas sobre o impacto do tipo de vedante na evolução sensorial e físico-química de vinhos tintos durante períodos curtos e médios de armazenamento em garrafa. Para períodos curtos de armazenamento, vinhos vedados com rolha natural ou microaglomerada apresentam um perfil semelhante, enquanto vinhos com cápsula de rosca desenvolvem um ambiente mais redutor, já percetível sensorialmente. Para tempos médios de armazenamento, as rolhas naturais contribuem para uma melhor preservação de compostos como terpenos, norisoprenóides e ésteres, que conferem notas frutadas e florais valorizadas pelos consumidores no vinho tinto. Estes resultados permitem inferir que fenómenos oxidativos são ligeiramente mais pronunciados em vinhos vedados com rolhas de cortiça natural. Este estudo mostra claramente que o tipo de vedante define o ambiente dentro da garrafa, influenciando a evolução sensorial e físico-química dos vinhos tintos. A interação vinho– vedante constitui uma ferramenta enológica, permitindo ao enólogo orientar de forma estratégica o desenvolvimento do perfil aromático do vinho e do equilíbrio oxidativo–redutivo ao longo do armazenamento. n AGRADECIMENTOS Este trabalho recebeu apoio financeiro de fundos nacionais portugueses (FCT/MCTES – Fundação para a Ciência e Tecnologia e Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior), através do projeto Laboratório Associado para a Química Verde – Tecnologias e Processos Limpos (LAQV-REQUIMTE) [UID/50006/2025], e da M.A. Silva, no âmbito do contrato de prestação de serviços com a Universidade de Aveiro.
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