BF21 - iAlimentar

EDITORIAL Num contexto internacional marcado pela instabilidade geopolítica, pelas alterações climáticas e pela crescente pressão sobre as cadeias de abastecimento, a capacidade de adaptação tornou-se um dos principais fatores de competitividade da indústria alimentar. É, por isso, particularmente relevante que Portugal tenha sido recentemente classificado como o país com o sistema alimentar mais resiliente entre 60 economias avaliadas pelo Resilient Food Systems Index, desenvolvido pela Economist Impact. O estudo destaca o desempenho nacional em áreas como a qualidade e segurança alimentar, a disponibilidade de alimentos e a capacidade de resposta a riscos, confirmando a solidez de um setor que continua a evoluir. Este reconhecimento não significa que os desafios estejam ultrapassados. Pelo contrário, reforça a responsabilidade de continuar a investir em inovação, eficiência e sustentabilidade para responder a um mercado em permanente transformação. É precisamente esse percurso que procuramos retratar nesta edição da iAlimentar. Em destaque estão as tecnologias de conservação, fundamentais para garantir a segurança alimentar, reduzir perdas e aumentar a eficiência ao longo da cadeia de frio. Abordamos igualmente a sustentabilidade no setor das bebidas, com especial enfoque nas indústrias do vinho e da cerveja, onde os investimentos em descarbonização, gestão eficiente da água, economia circular e valorização de recursos estão a redefinir os modelos de produção. Outro dos grandes temas desta edição é o impacto da inteligência artificial e da automação na produção alimentar. Embora a adoção destas tecnologias apresente diferentes níveis de maturidade entre empresas, é evidente que ferramentas como a análise avançada de dados, a monitorização em tempo real e a automação industrial estão a transformar a forma como se produz, controla a qualidade e gere a eficiência operacional. Os temas aqui reunidos demonstram que a competitividade da indústria alimentar dependerá, cada vez mais, da capacidade de integrar conhecimento, tecnologia e sustentabilidade numa estratégia comum. Mais do que acompanhar tendências, importa criar condições para que as empresas continuem a inovar, reforçando a resiliência de toda a cadeia de valor. Os temas que reunimos nas próximas páginas refletem uma indústria em mudança, onde inovação, conhecimento e capacidade de adaptação caminham lado a lado. Esperamos que esta edição constitua um espaço de informação e reflexão para todos os profissionais do setor. Resiliência, inovação e confiança na indústria alimentar Olivomundo automatiza lagar com apoio do Compete 2030 A Olivomundo vai reforçar a capacidade do seu lagar através de um projeto cofinanciado pelo Compete 2030, que combina investimento em tecnologia, automatização e sustentabilidade para responder à evolução da produção nacional de azeite. A Olivomundo está a investir na ampliação e modernização do seu lagar, através de um projeto cofinanciado pelo Compete 2030, com o objetivo de aumentar a capacidade de processamento de azeitona, reforçar a eficiência da operação e responder ao crescimento da produção nacional e à procura dos mercados internacionais. O investimento contempla a expansão das instalações, a instalação de novas linhas de extração de azeite, o aumento da capacidade de armazenamento e a reorganização da unidade industrial. A empresa pretende, desta forma, adaptar a operação às diferentes fases da campanha oleícola, reforçando a capacidade de resposta da produção. A modernização passa também pela automatização integral da fábrica. Com recurso a tecnologias de Indústria 4.0, o processo produtivo será monitorizado e controlado remotamente, permitindo melhorar a eficiência operacional e a rastreabilidade. A sustentabilidade constitui outro dos eixos do projeto. Estão previstas a instalação de caldeiras a biomassa alimentadas com caroço de azeitona, a implementação de um sistema automatizado para o transporte do bagaço e a instalação de um sistema solar fotovoltaico para produção de energia renovável. O projeto inclui ainda a valorização do bagaço através da produção de bagaço semi-seco destinado ao fabrico de adubos orgânicos, numa abordagem assente nos princípios da economia circular. Foto: Compete 2030.

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